Estava lendo um livro do Drauzio Varella que ganhei. Não gostava muito dele pelos quadros de televisão que assitia quando menor, mas descobri que suas publicações pelo jornal Folha eram crônicas muito interessantes. Achei interessante o trecho a seguir:
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Que falta faz o quadro-negro, a maior invenção da Didática em todos os tempos, substituída mais tarde pela insossa projeção de slides e, porteriormente, pela praga computadorizada que se disseminou da escola primaria aos congressos de especialistas, chamado data show, capaz de transformar mestres inspirados em expositores sem imaginação.
No quadro-negro o giz desenha imagens criadas em tempo real pelo raciocínio desenvolvido pelo professor, personagem central da transmissão do conhecimento e foco de todas as atenções. Os recursos audiovisuais modernos projetam a informação de maneira impessoal, muitas vezes antes das palavras do expositor, de modo que a tela iluminada compete com ele e monopoliza a atenção da platéia. O audiovisual, método complementar que devia ser usado apenas para ixibir imagens e estruturas em movimento, rouba a cena do protagonista, enquanto o quadro-negro é o palco em que ganham vida os pensamentos daquele que ensina.
O bom professor é um ator emocionado com o texto que pretende transmitir. Procura convencer seus discípulos de forma obestinada, de frente para eles, se possível em pé, com voz firme e olhar determinado, fixo nos olhos deles para perscrutar como reagem os espíritos a cada palavra pronunciada. É possível criar essa magia com um ser falando no escuro, relegado ao papel de coadjuvante de uma tela de plástico na qual se desenrola a ação?
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